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Capítulo 22 - Hall. Kaylee Hall. - {3}


Nota: se o último capítulo que você leu foi o 20, não leia este. Postamos 2 de uma vez. O 21 está logo ali embaixo.

Adorados seguidores,
É com profunda tristeza e pesar que comunicamos que, agora que deixamos Kaylee bem resolvida e encaminhada, nossa misão se cumpre, eo Sunset se encerra. Agradecemos a cada um que passou nesse blog e deixou uma marca, à Lara sempre ausente que nos propiciou criação deste projeto, e a Bel, de Beyond My Dreams, por ser sempre tão presente e incentivadora.
E assim, com muita dificuldade, terminamos Sunset. Agradecemos novamente você que está lendo, que conhece Kaylee, Luke, Mel... Agradecemos profundamente.





Meus nós dos meus dedos estavam brancos. Luke encarou-me – e milagrosamente, eu vi um brilho de vida lá dentro --, e encarou minhas mãos, retorcidas. Sinal do meu nervosismo (bela advogada que sou, transparecendo emoções).  Porém, não durou muito. Ele virou o olhar para o nada novamente.
A máscara se quebrou por um momento, mas logo voltou, totalmente impassível. Aquilo me deixou pior.
-- Número um?
-- Réu culpado. – eu ouvi uma voz profunda ressoar aquela frase. Parecia mil vezes mais alta na minha cabeça. Aquilo se chocou contra meu crânio e ensurdeceu meus ouvidos. Doía e ardia como uma facada.
Vi o homem asiático se sentar, o número um. Era um bom jurado, não tinha emoções. Provavelmente tinha filhos, podia ser um bom marido, não sei. Mas no momento, não pude deixar de odiá-lo, de sentir uma enorme fúria. E tristeza. Por que você faz isso consigo mesma, Kaylee? Por quê? – Número dois? – a juíza perguntou.
 -- Culpado. – Por quê, hein, Wilson? Primeiro que você é horrível em casos criminais. Não tem especialidade nisso. Você cuida dos casos chatos e financeiros. De empregados processando empresas. De casais brigando por guarda e dinheiro. Você é tão chata quanto seus casos. Se algo der errado, se um caso for perdido, há a possibilidade de se recorrer – e o estrago não é muito grande. Mas um assassinato? Não era para você se envolver com esses casos, de crimes horrendos. É difícil demais. E a culpa, além do nojo, ás vezes... O caso já perdido... Prisão perpétua e execuções. Sabia que alguns réus convidam seus advogados para assistir as injeções letais? Suas execuções? É que eles gostariam de ver um rosto conhecido (e mais amigável) do que os outros aleatórios que vieram apenas pela vingança.
E não era para você se envolver nesse caso. – Número três? – Você é louca? Ele é louco. Como pode ter me deixado ser sua advogada? Médicos são afastados de casos em que estão emocionalmente comprometidos; assim como policiais e advogados. O que você está fazendo, Wilson? O que você ganha com isso? Não o caso, não o dinheiro. Por que você está se remoendo com todo culpado que soa aqui no tribunal? Você, por acaso, aceitou o caso numa esperança desesperada e cega de anular todas as provas contra ele, de invalidar a verdade? Você não queria encará-la – que o homem que ama é um cruel assassino. Você sonhou em vencer esse caso, em pegar o real criminoso, e voltar a ser humana. A ter sentimentos, porque nos últimos anos você foi um robô. Você queria ser humana e casar com ele. Quando finalmente se deixou ter um sentimento, tudo se resultou em uma tremenda decepção e numa avassaladora dor, não? É por isso que se chamam “decepção amorosa”.
Você queria que tudo fosse mentira. Mas não é.
Quatro, cinco, seis; todo mundo sabe o que ele fez.
Como pode ter outro fim?
Sete, oito, nove. Se ele não é assassino, comprove.
Quando se há tudo contra ele? Quando tudo é irrefutável?
 Dez, onze, doze. O réu tem psicose. Treze, quatorze, quinze. Culpado, culpado, culpado também.
-- Jurado número dezesseis?
Uma mulher piscou, confusa. Era a última; era a mais nova. Gaguejou, respirou fundo, fechou os olhos. Abriu-os e então disse, assustada: -- Inocente.
--- ---
Eu defendera aquele caso porque queria que tudo fosse mentira. Que ele fosse... Meu Luke, e não um Henry assassino. E achei que se ao menos alguém acreditasse em mim, acreditasse... Comigo... Eu teria certeza da inocência do homem que amava desde meus tempos de menina.
Mas eu só senti pena da última jurada.
Porque ela fora enganada pelo charme e lábia de Henry tal como eu fora um dia.
Mas era claro que não era o suficiente para livrá-lo. Homicídio triplo, qualificado, falsidade ideológica.
O veredicto era quase esperado.
Morte.
Mas e se por um milagre eu não estivesse envolvida demais com o paciente, e a operação tivesse sido um sucesso? E se todos os outros jurados estivessem de acordo com a última moça?
E se o assassino Henry Allen voltasse às ruas? Isso me deixaria feliz?
Talvez deixasse a advogada feliz por uns instantes pelo triunfo, mas a Kaylee, a humana, se arrependeria até a última vértebra. E toda vez que abrisse o jornal na página policial e se deparasse com um homicídio sem solução, ia pensar se não fora ela a colocar a faca nas mãos do criminoso.
Ele só me disse uma coisa antes de ser algemado e levado para fora do tribunal:
- Não vá me ver lá, Wilson. Não vá!
Nem tinha planos de visitá-lo na prisão, nem pude vê-lo sendo submetido à viatura.
Depois da saída do júri, e logo então, do réu, foi permitido que os demais deixassem o tribunal.
Esperei que todos saíssem para sair com Mel – Era um caso horrendo, psicótico, que atraíra a atenção parcial da mídia, e conseqüentemente um pequeno público.
- Sinto muito – Disse ela com a voz fraquinha, como se Luke (Henry, Kaylee, Henry) já estivesse morto.
- Não é a primeira vez que perco um caso, Mel, você sabe disso – Respondi sóbria.
- Mas seria a primeira se não regássemos isso à margaritas.
- Muitas margaritas – Concordei com um sorriso triste, as lágrimas da derrota removendo o rímel.
--- ---
- Champagner ou margaritas? – Indagou Joe atrás do balcão.
- Margaritas – Disse eu.
- Oh, pena, Kay. O próximo vai ser melhor, tenho certeza.
- Obrigada.
Eu e Mel sempre íamos àquele bar, muito popular na escola onde Mel trabalha, depois de tribunais. Quando eu ganhava os casos, comemorávamos com champagner. Quando perdia, afogávamos as mágoas em margaritas. E Joe, nosso eterno barman, já conhecia nossa tradição.
- Kaylee? Kaylee Wilson?
Deja vú.
- Gregory... Hall.
- Kaylee, desculpe-me por tudo que eu disse naquele dia nos jardins... Eu não tinha o direito...
- Leu em algum jornal o caso de Henry Allen... E o nome de seu advogado, não?
- Sim, Kaylee, e eu me sinto culpado. Eu não tinha o direito de te envolver nessa história.
- Poupe suas desculpas para quando for você quem matar toda a família com uma faca de 47cm, Greg.
- Está brava comigo?
- Não – Respondi honesta pedindo outra margarita.
- Bem... – Começou Mel naquele jeito inquieto de sempre – Eu fiquei de olho em coisas melhores do outro lado do bar, então... Vou atrás. Divirta-se, Kay – Piscou com malícia.
Ri nervosa
- A Mel continua a mesma – Admirou-se ele.
- Você também – Falei sem pensar, ainda nervosa como uma adolescente pela nossa proximidade.
Ele hesitou e caí em mim.
Com tanta coisa para se falar, Kayle Wilson diz para um ex-cretino criminoso que ele não mudou nada.
- Quer dizer... Fisicamente. É claro que cresceu e criou muitos músculos – Agora sim eu estava vermelha como um pimentão – Quero dizer, é claro que mudou um pouco, mas fisicamente continua muito boni... – Um buraco para Kaylee Wilson se esconder, por favor? – É. Mel continua a mesma – Consegui finalmente elaborar uma frase aceitável.
- Eu mudei, Kaylee.
- Eu também – Admiti me enterrando em minha margarita.
- Então prazer em conhecer. Hall. Gregory Hall.
- Wilson. Kaylee Wilson.
- Talvez não por muito tempo.
- O que disse?
- Nada, Wilson. Já é tarde, mas... Talvez possamos... Sei lá, jantar, hoje, amanha... Ou quando for melhor pra você.
Qualquer garota sensata que não quer se esconder de qualquer sentimento, diante de tal proposta proferida por tal escultura grega diria sim sem pensar duas vezes e faltaria até ao enterro dos pais para viabilizar o encontro.
Mas eu não era sensata, e fugia de meus sentimentos como o diabo foge da cruz. Então continuei a fitá-lo com um sorriso leve e interessado como se ele não houvesse dito nada.
- Quer saber, Kay? Pose de bom moço não combina comigo – Abriu um sorriso malandro e desarmador – Quinta, às dez, no restaurante tailandês no fim dessa rua.
- Hoje é quinta, e são dez horas.
- Estão vamos logo ou nos atrasaremos – Ofereceu o braço.
Olhei pros lados procurando Mel – talvez ela me desse uma luz – e a encontrei... Digamos... Entretida demais para se lembrar que a amiga tímida e anti-social se encontrava do outro lado do bar.
Então mandei a um lugar pouquíssimo ortodoxo o que qualquer outra pessoa queria – Eu passara a vida tentando agradar meus pais, então Luke, meus professores, meus clientes, meus juízes. Mas Kaylee Wilson queria dar-se uma nova chance, e queria sair com o engenheiro loiro que lhe estendia o braço.
Pulei do banco, toquei de leve seu antebraço e saímos do bar.
Talvez fosse mais poético se, contrastando contra nossas silhuetas, estivesse o magnífico e inexorável pôr-do-sol.
Talvez não.
Talvez o pôr-do-sol pertença a um garoto chamado Luke (Luke, não Henry) e uma colegial chamada Kaylee. E ao amor presumido entre os dois.
Talvez a advogada e o engenheiro conquistem, um dia, a própria paisagem, ou cada qual encontre um alguém ainda mais medíocre para dividir um cenário.
Eu sempre vou lembrar-me dos beijos e confissões no penhasco quando ver o sol se pondo no litoral, tal como qualquer menina se lembra do primeiro amor.
Mas a vida de Kaylee Hall não se resume a poucas horas laranjas no fim da tarde. Ops, eu disse Hall? Um pouco cedo para isso. Por enquanto é Kaylee Wilson. A advogada Kaylee Wilson. A seu dispor.
--- ---
Já era de madrugada. Estava presa nos braços de Greg e descansava minha cabeça em seu ombro. Estava descalçada, assim como Mel, depois de perdemos os nossos sapatos na trilha. Sentia a grama molhada de orvalho e o ar puro. Ele me apertou e eu suspirei.
Mel dormia no colo de seu novo namorado. Não contei sobre o anel que ele me pediu para que escolhesse.
- Olha - praticamente me acordou com a voz calma, apontando para o horizonte. - O sol está nascendo...
Sorri. E eu o beijei na fraca luz do nascer do sol.


FIM