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Capítulo 21 – Adams. Luke Adams. - {0}


O dia tinha começado bonito, mas naquele canto da cidade parecia ter passado um furacão. Não era apenas uma delegacia ― que infelizmente já estivera há alguns anos ―, mas sim uma prisão. E... Alguém estava lá dentro.
Fiquei algum tempo olhando apenas para o chão, dando voltas. Mexi no meu casaco, inútil pelo calor, procurando algo nos bolsos. Nada. Senti um calafrio, mas como já disse, não era de frio.
Eu parei e olhei para aquilo. Concreto, concreto e pouquíssimas janelas. Parecia um castelo das trevas. Como advogada, eu deveria estar acostumada com prisões, ladrões, meliantes e condenados... Mas no momento, eu não era a invencível advogada Wilson, que conseguia reverter até uma pena de morte.
E sim apenas uma garota de 16 anos com muita mágoa em seu coração.
E alguém estava lá dentro. Ele.
O pior não foi passar por aquela maldita revista, confirmar o horário de visitas sete vezes durante a semana nem tampouco vê-lo naquela maldita roupa, como se ele fosse igual a todos aqueles outros, e inferior aos que estavam do lado oposto do vidro.
Foi ver como ele odiou me ver lá.
Sentei no banco indefesa, vendo ele através daquele maldito vidro. Peguei o fone com as mãos trêmulas e o aproximei de meu ouvido. Ele repetiu o gesto, com contrariedade e irritação.
- Eu vou te tirar daí, Luke.
- Meu nome é Henry.
- Eu sou advogada e você é meu novo cliente. Mas por que raios você confessou, aquilo, Luke?
- Porque eu fiz! – Disse rude, áspero e inesperadamente calmo – E meu nome é Henry, Wilson.
Ouvi-lo me chamar pelo sobrenome doeu. Era como se tudo que eu passara fosse em vão.
- Não seja ridículo... Henry. Você sabe que não cometeu crime algum...
- Você quer um relato verdadeiro, Wilson? Quer saber mesmo o que aconteceu? Eu matei minha mãe enforcada com o próprio lençol, e dei um tiro na cabeça do meu pai. Bem-na-têmpora – Ele me olhava com frieza – Fiz acharem que meu pai assassinara minha mãe e cometera suicídio. Mas a minha irmã sabia. Bati o carro de propósito e a esfaqueei com uma faca de exatamente quarenta e sete centímetros - e eu sei porque eu medi -. Foi bem no coração, e jorrou sangue para todo lado. Então eu fugi. Fugi por um bom tempo, consegui me matricular na Valley High School. Daí eu conheci você. O Gregory ia me entregar e tive medo de estar começando a me apaixonar por você. Então eu parti. Satisfeita?
Começando a se apaixonar? Eu o amava completa e incondicionalmente e ele estava começando a se apaixonar?
Tem uma coisa que você aprende na faculdade de Direito. São sete longos anos, sete longas madrugadas, sete longos casos. Sete provas. E em só sete minutos. 
Setenta por cento do meu curso era sobre casos financeiros, e a coisa mais divertida, no máximo, eram os divórcios. Um calouro nunca, nunca, nunca, via um caso criminal. Era muito mais complicado.
Eu me lembro do meu primeiro caso criminal. Eu me lembro quando eu parei de ser a caloura. Não foi na formatura que eu me senti uma advogada. Foi quando eu entrei nesse mesmo presídio da cidade, acompanhada do meu grupo avançado - nerd, oi -, e me sentei na frente de um adolescente (18 anos recém-feitos) acusado de roubo de uma loja de eletrônicos, que acabou gerando uma agressão. Não era o maior dos sociopatas, mas o medo dele... Me contagiou. Foi horrível. Foi horrível cuidar de um caso sem volta (câmeras e mais câmeras o filmaram cometendo o delito), foi terrível lidar não só com a corte, mas sim com a sua família e com o próprio. Foi horrível, terrível, e outros adjetivos.
Quando o julgamento terminou, eu educadamente sai do tribunal e chorei no banheiro, meu primeiro choro depois de anos. Uma das minhas professoras me seguiu até lá e meu o maior e melhor conselho da minha vida.

Não sinta. Não se importe. Só trabalhe.

E foi o que eu fiz.

Luke - Henry - falou novamente, com aquela voz fria e cortante como uma faca. Como a faca que ele matara seu pai?
Não, ele não podia...
Não, eu não posso. Não posso me importar.
- Acho que você deve ir embora, Wilson. Vá. Agora.
- Quem está cuidando do seu caso? - disse, como qualquer robô de advocacia.
Ele piscou, uma piscadela de humanidade (e confusão), porém logo a frieza voltou. - O quê?
- O Estado é obrigado a proporcionar um advogado. Ele já foi direcionado pra você? - eu repeti, dura.
Henry - Luke - demorou um pouco para responder, desgostoso: - Não, mas Wilson...
Não deixei ele terminar. - Ótimo. Kaylee Wilson acabou de se livrar de mais um caso chato de divórcio. Vou repassar o caso da antiga sra. Applebee, atual sra Yang, para o Mark. O estado não paga muito bem, mas vou fazer uma exceção para ajudar um velho amigo. - Pisquei e saí, deixando-o desconcertado.

Saí, só para voltar para casa e chorar até dormir.
Senhoras e senhores do tribunal, esta é a advogada Wilson. Kaylee Wilson. A pobrezinha e medíocre Kaylee Wilson.