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Hall, Gregory Hall - {3}


Era impossível olhar para aquele lugar sem ser tomada por recordações. Valley High School estava igual a quando eu a deixara. Os estudantes jogados no jardim, banhando-se ao sol, fazendo deveres ou simplesmente conversando. Era a Valley High School que eu conhecera, mas eu não era mais uma aluna, e não tinha mais um vizinho de janela.

Embora fosse amiga de Mel, eu sempre arranjara desculpas para não ir a seu local de trabalho. Mel não insistia porque sabia o verdadeiro motivo de minhas recusas. Estar lá doía demais.

Então me lembrei que estava lá única e exclusivamente para fazer as pazes com Melanie e devia esquecer o passado.

O maior problema era que eu não sabia onde encontrá-la. Para mim, os professores se desmaterializavam no instante que saiam das salas de aula. Nunca parara para pensar onde era a sala dos professores.

- Kaylee Wilson? – Uma voz me trouxe de volta ao presente. Embora fosse agradável e macia, para mim foi como um banho de água fria. Me virei indignada:

- Gregory Hall?

Ele congelou por um momento, mas tentou se recuperar. E eu me assustei com a minha capacidade de reconhecê-lo depois de tanto tempo. Sete anos. Era incrível como tínhamos mudado. Até eu consegui uns centímetros a mais. ― Olá, Kaylee. Que bom que você se lembra do meu nome.

Tentei não corar, com toda a minha força. Querendo ou não, eu ainda lembrava alguma coisa da escola. Não era todo o dia que era quase violentada. Felizmente, não tinha toda a lembrança na minha mente. O final era... Era... Complicado.

― Olá, Gregory ― gaguejei.

Talvez soe muito adolescente, mas na minha vida, até agora, eu nunca tinha passado tanta vergonha. Talvez até Greg ― Sr. Hall, sr. Hall, você não tem mais 16 anos ― se arrependia de ter me cutucado, vi nos olhos dele.

A vontade de sair correndo do High School foi tão grande que meus pés começaram a formigar. ― Eu devo estar deixando você numa situação difícil ― disse, olhando para baixo, depois de alguns de um silêncio mutuamente embaraçoso. ― Só queria ver se era você mesmo. Pensei que nesse ponto, já teria se mudado daqui ― sorriu triste.

No pouco tempo em que vivi ― talvez não tão pouco assim ― e nos poucos encontros que tive depois da formatura, antes de me fechar completamente para o trabalho, era impossível não ver em seus olhos uma faísca de cantada. Sério, Hall? Depois de tudo que passamos juntos?

Não sei o que aconteceu em mim, só não consegui encontrar a coragem e a raiva do começo do diálogo. Eu estava bem acostumada em apagar qualquer sentimento como uma boa advogada.

Ou como uma boa depressiva.

Mas não era momento para pensar nessas coisas. Só respondi com a verdade.

- Vim visitar Mel, ela é professora. O que você faz aqui? – Tentei soar simpática. Não deu certo. E o pior. Eu consegui ser rude.

Gregory sorriu com a minha mudança de humor. Eu sabia que tinha visto uma faísca.

- Me formei em engenharia. Vão construir um ginásio de esportes e um novo prédio. O número de alunos cresceu bastante e as acomodações antigas não eram suficientes... — meu Deus. Existem pessoas em Wilmington! - E você? No que trabalha?

- Sou advogada.

- Aposto que bem sucedida. ― Ah. Lindo. Faísca. Faísca. ― Kaylee, eu estava querendo conversar uma coisa com você. Será que podíamos sair para um café?

Não, não! Não quis ir à festa ontem. E não quero ter um encontro hoje.

Nem nunca, pra falar a verdade.

― Eu... ― eu não conseguia responder. E então... Talvez fosse o sol nos meus olhos ― mesmo o dia não estando lá muito bonito ―, ou o fato de não ter dormido muito bem noite passada, graças aos telefonemas incessantes da Mel e os julgamentos em andamento. Não sei o que foi. Só sei que parei e o olhei melhor. Pelo amor, Greg já tinha 25, 26 anos. Eu já tinha 25, 26 anos. E querendo ou não, com sono ou não, com sol ou não, o único em que eu via um possível estuprador e mercenário era no Greg de 16, 17 anos.

O tempo cura a maioria das coisas e seria infantilidade tratá-lo mal, de modo que estava me esforçando para ser simpática, mas isso não fazia de mim a melhor amiga dele. Quem ele pensava que era pra me chamar pra sair, assim?

- Não posso, tenho que visitar Mel. Mas se é tão urgente, fale agora. Nada o impede.

- Henry está preso, Kaylee.

- Mas ele é inocente! – Gritei agudo, deixando a máscara de mulher séria cair. Kaylee, será que uma vez na vida você dizer algo que não pareça ter saído da boca de uma garotinha de quatro anos?

- Kaylee, ele confessou.

- Então... Ele estava sob pressão, ou quis proteger alguém! Os pais dele...

- Os pais dele estão mortos, Kay – Disse sombrio. Eu recuei, assustada como uma criança - Ele os matou. Depois matou a irmã, provavelmente querendo o dinheiro só para ele.

- Você está mentindo – Joguei minha última cartada, tentando não hesitar.

- Vá à delegacia. Vá à prisão. Converse com ele, se quiser.

- Mas, se ele era culpado, por que me contaria sobre o crime?

- Os assassinos também amam, Kay. Tenho certeza que ele amava você. Mas isso não faz dele menos assassino, menos sujo, menos desprezível. Quando descobri, meu primeiro impulso foi denunciar. Queria te proteger dele. Mas eu tinha feito aquela burrada, te agarrando na floresta, e ele tinha com o que me chantagear. Estávamos no mesmo barco.

- Você queria me proteger? Você tentou me estuprar!

- Eu sei. E me arrependo disso todos os dias. Mas eu era idiota, Kaylee. E imaturo. Eu achava que você me queria também, e estava se fazendo de difícil... Mas de um jeito bizarro eu me importava com você.

As palavras me faltavam.

Olá, Kaylee. Esse é o momento em que você esquece que esse encontro aconteceu e vira as costas.

Quando parte da minha consciência não falava de coisas de sete anos atrás, até que era coerente. ― Desculpa, Gregory ― pensei que, falando o nome dele, ele acharia que não precisávamos conversar para “reviver os bons tempos” e eu poder voltar para o meu cotidiano premeditado, seguro e quentinho. Que não envolvia o Valley, nem ele, e nem ninguém. Tirando a Mel, claro. ― eu estou atrasada. Talvez outra hora?

E que tal nunca?

― Kaylee, por favor, me deixe explicar...

O gongo do momento era o sinal da próxima aula. Em todo o meu tempo estudantil, eu nunca fiquei feliz com ele, mas agora... Deus realmente existe.

Falando sério, a verdade era que eu tinha medo de Greg. Muito medo. Não medo que ele me arrastasse pra floresta. Me convencera que ele não era um estuprador acostumado a conseguir o que quer. Mas medo do que ele sabia. Medo... Do quanto ele sempre estava certo. Mesmo com parte do meu cérebro aceitando a cantada disfarçada dele. Eu senti medo.

Juro que eu corri. Eu poderia ter tido mais classe, ter parecido mais dama, mas eu corri. E me arrependi disso, pelos meus pés miando nos saltos altos.

Não é de mim que você tem que ter medo! Não mais! E não agora! ― Escutei Greg gritar.

Quando virei a cabeça, já do outro lado do pátio ― com direito a alguns alunos olhando para mim ―, não tinha ninguém.

Ele tinha ido embora.

Mas não por muito tempo.