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Capítulo 18 - Decisão - {3}


-Kay! – Luke balançava meus ombros com força. Não estava adiantando. – Kay, você está me assustando!

         Quem garante que ele não vá só passar um tempinho fora? Certamente não é o que você esta pensando.

         -Você... está falando sério? – minha voz falhou.

         Ele me olhou. Sua expressão pesarosa.

         -Não tem mais nada que eu possa fazer Kay. Essa não vai ser a primeira vez que eu vou ter que fugir de um lugar, e pelo visto não vai ser também a ultima.

         -Mas, e nós? – eu estava sendo cautelosa, não queria jogar na cara dele aquilo.

         Ele suspirou. Foi ai que eu vi que seus olhos também não estavam totalmente secos. Meu coração se contraiu.

         -Eu não quero fazer isso. Não quero. Kay, você é a única pessoa que eu confio, você sabe. E eu te amo. Muito. Eu só não posso ficar. Greg não é mais uma ameaça. Se duvidar, ele até já deu queixa. – ele parou um pouco, abaixou a cabeça e suspirou – O que eu mais queria, era poder respirar tranqüilo e dizer: “Eu vou ao mercado hoje e a polícia não vai me prender no caminho”. Mas eu não posso dizer isso. Eu não posso.

         As lágrimas continuavam a escorrer por meu rosto e eu acho que elas eram responsáveis por parte dele não estar me olhando.

         Era obvio que ele estava sofrendo. Era óbvio. Sua respiração tremula comprovava exatamente isso. Era óbvio também, que ele não era o único naquele cenário que estava desesperado. Simplesmente era demais, tanto para mim quanto para ele que isso estivesse acontecendo. Luke não merecia passar por uma coisa dessas, ficar se mudando de lugar em lugar a cada vez que sentir ameaçado e nunca poder realmente criar um vida lá. Eu sabia o porquê de quando nos conhecemos, ele não ter contato com quase ninguém a não ser Mel e David – e nem mesmo eles tinham a menor idéia do Luke estava passando.

 Ele só não queria se envolver, nem comigo, nem com ninguém. Porque seria mais fácil para ele se mudar de estado – ou, que Deus não permita, até de país – se não tivesse alguém lamentando a sua partida, muito menos sofrendo horrores com ela. E eu me encaixaria perfeitamente nessa pessoa.

         Vagamente, me perguntei se ele lamentava – algumas lágrimas extras surgiram com esse pensamento – de ter me conhecido. Seria tudo bem mais fácil se eu não existisse.

         Na verdade, eu sempre fui um fardo pra todas as pessoas. Meus pais nunca quiseram filhos, e, no entanto, eu nasci. Porém, eles devem me odiar desde o primeiro ultra-som. E agora, Luke estava sofrendo por minha causa. Se eu não existisse, ele não ficaria tão arrasado assim em partir.

         Mas eu não queria me lamentar daqui a sete anos falando que eu nunca tentei.

         -Luke, você está mesmo decidido mesmo a ir embora? – perguntei dessa vez erguendo seu rosto e olhando em seus olhos.

         -Sim. – sua voz não estava confiante nem de longe, mas era obvio que ele já havia decidido e não iria voltar atrás.

            -Ok, então, eu vou com você.

         -O... que?

         Tentei não me abalar com essa resposta espirituosa. Sim, eu estou sendo sarcástica.

         -Luke, se você for embora... – eu não consegui terminar a frase, tamanho o choro.

         Isso não podia estar acontecendo. Não podia. Eu nunca havia gostado tanto de uma pessoa. Nunca havia confiado tanto em uma, nunca havia me sentido tão segura com uma. Não era justo. Será que era pedir demais? Pedir que pelo menos, a única pessoa que eu realmente amei em toda a minha vida, pudesse viver em paz? Que pudéssemos aproveitar a vida juntas e legalmente, de preferência?

 É, pelo visto acho que deve ser pedir demais sim.

            Ele me abraçou e ficou em silencio por um tempo. Eu só soluçava em seu ombro. No fundo, acho que eu sabia o tempo todo que isso ia acontecer, sempre soube. Só que eu fui cega e burra a ponto de tentar não enxergar.

         E agora, estávamos os dois lá, sem saber o que fazer ou o que pensar. Sem saber o que iria acontecer daqui para frente.

         Ele me puxou pelo ombro e me encarou.

         -Kay, você não pode vir junto. Eu não posso fazer da sua vida uma perseguição que nem a minha. Você merece e você vai ter uma vida digna. Custe o que custar.

         -Mas eu não posso deixar você ir! Você não entende isso?

         -Sim, eu entendo. Mas, no momento, o mais importante agora é deixar você longe de tudo isso. Eu não estou pedindo e nem quero que você sacrifique a sua vida por mim! Você não entende? Eu só quero para você uma vida que eu nunca tive! Uma sem perseguições e medos. Não é fácil poder sair na rua sem ter medo de alguém te reconhecer!

         Nós nunca havíamos brigado antes, então me surpreendi com o tom que ele usou comigo.

            -Mas eu não preciso dela! Você sabe que eu não tenho medo disso.

         -Desculpe, mas isso eu não posso te dar.

         Virei meu rosto para o lado, apesar das lágrimas atrapalharem minha visão, acho que ninguém notou o nosso pequeno showzinho.

         -Como eu vou poder ficar aqui sem você? – e o encarei de novo. Minha voz agora era um pequeno fiapo do que fora antes.

         -Você viveu sua vida inteira sem mim antes. Certamente vai saber se virar. – ele disse bem mais gentil que antes tocando o meu rosto.

         -Promete que vai manter contato? – me perguntei se deveria estar parecendo uma criança de cinco anos birrenta que não ganhou um doce.

         -Vai ser melhor não. Pra nós dois. Eu falei com meus pais ontem à noite, eles concordaram com minha decisão. Provavelmente eu vou para algum lugar da Europa ou da Ásia, ainda não decidi direito. Estados Unidos estão fora de mão para mim.

         Eu acho que ele deve ter visto o olhar desesperado que lhe mandei, por isso acrescentou:

         - Eu sei que vai ser difícil Kay. Eu sei. Mas o que mais eu posso fazer? Você vir comigo está totalmente descartado, sem chances. E além do mais, é a coisa certa a se fazer. Deixar você poder viver sem ter que ficar olhando para trás a cada dez minutos para ver se está sendo seguida ou não. – ele segurou meu rosto entre suas mãos - Eu só quero uma vida melhor para você. E no começo, a minha vida vai ser um inferno, ter que acordar e saber que eu não vou poder te ver. Mas eu preciso tentar. Eu não vou conseguir esquecer, mas sei que, com o tempo, isso vai melhorar. Me promete que vai tentar viver a sua vida também?

         Seus olhos molhados, tão perto dos meus, clamando por uma resposta coerente. O que eu poderia fazer? Bater o pé e dizer que não? Essa era a vida dele afinal, e eu só era a namorada que estava fazendo um showzinho, o impedindo de poder se salvar a tempo. No final, eu era só isso.

         -Eu prometo. – olhei para baixo, meus olhos transbordando.

Ele levantou o meu rosto para ele de novo.

         Eu não queria que ele visse toda a dor que eu estava sentido, mas era inevitável.

         Franzi minhas sombracelhas, tentando não chorar.

            -Eu vou sentir a sua falta. – falei antes que me arrependesse. Mas minha voz saiu embargada e me perguntei se ele havia entendido alguma coisa.

         Luke encostou sua testa na minha.

         -Eu também vou, eu também vou. – sua voz não era mais do que um leve suspiro – Mas eu preciso fazer isso.

         E novas lágrimas derraparam silenciosamente para fora de meus olhos.