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Capítulo 9 - Qual. É. O. Meu. Problema? - {2}


Depois que acabaram as aulas, nossa já formada ‘panelinha’ – era assim que chamavam as turmas daqui, a panelinhas dos populares, nerds, góticos, esquizofrênicos e a nossa era, aparentemente, a dos normais – foi curtir o sol no jardim do colégio. Nos sentamos nos bancos em frente à principal estátua do jardim – a escultura do fundador do colégio, não me perguntem o nome dele – e começamos a fazer nosso dever de casa com o pretexto de termina-lo logo e ficarmos com a tarde inteira para fazer o que bem entender. 
 Eu já tinha dever de Inglês – ler Razão e Sensibilidade para quinta, mas como eu já havia lido, descartei esse – de alemão e calculo. 
 Alemão eu nunca havia tido aula antes, mas conhecia mais ou menos o básico – a família do meu pai era alemã – e eu considerava a língua um tremendo pé no saco - desculpe a sinceridade. Mesmo com o básico, eu continuava sem entender bulhufas. E cálculo, bem, nunca foi a minha matéria favorita. Estava bem longe disso. Então depois de mais ou menos uma hora eu terminei o meu dever e me juntei à Mel que estava espreguiçada numa toalha de piquenique aproveitando o sol.
 Tomar sol no pátio era um costume bem popular por aqui. Perguntei-me porque eles não iam logo à praia.
 -Então, como foi o primeiro dia? Prefere aqui ou a Costa Oeste? – perguntou Mel quando me juntei a ela na toalha de piquenique num tom de diversão.
 -Bom, digamos apenas que as coisas são diferentes, sem comparações. 
 Logo que eu fui bem recebida aqui, percebi que aqui seria bem melhor do que na minha antiga escola mesmo. A única coisa que não a fazia melhor, era a ausência de minha melhor amiga. Perguntei-me como ela estava se virando na escola sozinha.
 Era obvio que nos tínhamos mais amigos. Na verdade, nós éramos ate populares. Mas nada justificava a nossa amizade.
 -Fala serio, isso aqui – e ela assentiu para o pátio em nossa volta – tem que ser bem melhor do que a sua antiga escola. Não era uma escola de freiras? – Mel falou com um sorriso.
 E era mesmo uma escola de freiras. Mas nós nem sempre éramos santas.
 -Bem, por esse lado, as inspetoras de lá eram mesmo umas megeras. 
 Ela deu risada.
 E então, quando estava ali, sentindo o sol e a brisa fraca baterem no meu rosto, percebi com uma pontada de histeria, que não era só a parte Nancy que estava faltando do meu coração. Era uma parte que eu não via desde o café da manha. 
 Olhei em volta e vi todos os outros que estavam fazendo seus deveres, deitados na grama como nós, sentados ou até mesmo andando por ai rindo despreocupadamente. Mas nenhuma daquelas pessoas era a que eu procurava no momento. 
 Onde estaria ele? O que será que iria acontecer entre nós depois o nosso beijo de ontem à noite?
 Seríamos nós só bons amigos? Seria aquele beijo só um engano afinal?
 Recusei-me a pensar nisso. Eu não queria isso. Eu queria algo a mais.
 Mas afinal, qual era o meu problema? Nós nem nos conhecíamos direito. Como poderia eu, não tirar um cara da minha cabeça que eu só tinha conversado duas vezes e beijado uma? Como ele como ele poderia exercer uma atração tão grande sobre mim?
 Ele poderia pensar em mim como uma garota fútil, volátil. Uma garota idiota que ele teve que salvar das mãos de um maníaco. Uma garota que ele beijou por pena e não por amor. Porque era praticamente impossível você amar uma garota que você conhecia. Uma estranha completa. Eu era isso para ele afinal de contas. Uma estranha.
 Se ele gostasse mesmo de mim, ele teria vindo falar comigo no café ou no almoço. Ele não teria ignorado por completo.
 Doeu-me pensar aquilo.
 Resolvi tomar um rumo menos doloroso de pensamentos. 
 -O que você acha que vai acontecer com Greg? – perguntei a Mel antes que eu enlouquecesse. 
 -Depende do que você quer que aconteça – ela respondeu de olhos fechados – Você bem que podia dar um BO na policia, né? Seria bem apropriado de sua parte.
 Fechei minha cara. Se eu fizesse um BO, todos saberiam o que havia acontecido comigo e eu não queria isso.
 -Ou, você poderia ficar quieta sobre o caso e nunca mais olhar na cara dele. Eu prefiro a primeira opção. Bem que eu queria ver ele se virar pra sair de trás das grades. Mas a opção é sua.
 Optei pela segunda opção. Era melhor ninguém saber.
 Fechei meus olhos e continuei a aproveitar o sol.
 -Hei. - chamou uma voz grossa depois de alguns segundos.
 Abri meus olhos instintivamente.
 Dei de cara com Andrew debruçado sobre nós duas com cara de ansioso.
 -Oh, Andrew. Tudo bem? – perguntei. Não tinha mais o que falar.
 -Ah, oi Kaylee, oi hmm... Melanie. Olha, eu vou dar uma festa na minha casa de piscina no sábado e eu estava pensando se vocês não queriam vir? Vai ser às nove, no Village Park, n° 34. Vocês devem saber onde fica não é?
 Mel assentiu embabascada.
 -Ótimo, então, vejo vocês duas por lá. – E piscou pra mim de novo como na primeira vez.
 Quando ele já tinha ido embora, Mel começou a sussurrar:
 -Como você fez isso? Chegou hoje e já conseguiu dois convites para uma festa do cara mais popular por aqui? E você tem noção da onde fica o Village Park? É o bairro mais luxuoso aqui em Wilmington! – ela falou isso tudo de um jeito meio histérico.
 -Bom, foi ele que puxou conversa comigo depois da aula de inglês. Eu não estava esperando que ele nos convidasse para uma festa. – sussurrei de volta. 
 -Kaylee Wilson, você é tudo, sabia? TUDO! – e me abraçou.
 Ok, Mel era esquisita.
 Mas fiquei feliz que pelo menos alguém aqui pensasse assim.
 O resto do dia, passei com Mel e os outros, me divertindo às vezes, mas nunca esquecendo uma certa coisa que estava me incomodando mais que qualquer outra coisa. 
 Ate que fomos para o nosso quarto para tomar banho e depois descermos para jantar.
 Estava esperando Mel sair do banho para eu entrar, olhando aleatoriamente para fora da janela, quando eu percebi um cara sentado no chão, com a cabeça enterrada entre os joelhos no quarto ao lado.
 -Luke? – chamei sem pensar duas vezes.
 Ele levantou a cabeça automaticamente com uma expressão torturada e depois, viu que era eu, e a rearrumou rapidinho. 
 -Luke, está tudo bem? – eu disse quando ele não respondeu nada – Eu não te vi nem no almoço nem lá fora com todo mundo. Você esta bem? – perguntei olhando a expressão dele, que, apesar de seus esforços, continuava um pouco amuada.
 Ele me olhou com a expressão insondável por mais alguns segundos, se levantou e disse:
 -Ah, sim. Está tudo bem. Eu só estava pensando em certas coisas. Bom... eu vou... jantar. Te vejo depois. 
 E saiu do quarto.
 Percebi que ele estava tentando se livrar de mim. Eu era bem perceptiva a ponto de perceber que ele inventou o jantar de ultima hora.
 Então era assim. Depois daquele beijo fantástico de ontem à noite, seria assim. Eu me senti como se tivesse um buraco negro invisível sugando o meu coração para fora do meu peito. Fechei os olhos com força pra não deixar a umidade vazar. Minha garganta doía com força. 
 Então, Mel saiu do banho. Eu lentamente abri meus olhos vermelhos, passei reto sem olhar para ela e fui tomar banho com um nó crescente na garganta. 
Não o encontrei lá no refeitório quando fui jantar. Nem nos outros dois dias seguintes. No começo, decidi não me abater. Mas já estava ficando preocupada. Eu não o via de manha, no almoço, à tarde ou na janta. Nem mesmo no quarto dele eu o via. A cortina estava sempre fechada.
Eu também nunca mais vi Greg. Preferi acreditar que, depois de tudo aquilo, ele tinha se transferido. Não me incomodei.
Na quarta-feira chegou uma carta pra mim. Quando eu li o remetente, eu senti um frio na barriga. Era de Nancy com sua caligrafia redonda.
Kaylee,

Você não me prometeu me mandar cartas? Fiquei esperando.
Eu estou com tantas saudades! A escola tem sido um inferno aqui sem você. Sabe quem agora deu pra copiar seus modelitos Prada? Isso mesmo, Lara Pettucci. Aquela vaca pensa que só porque você saiu da escola agora tem o direito de mandar nela. Mas chega de falar de mim.
Como é o outro lado do mundo ai? Como é a escola e como você esta se adaptando sem conhecer ninguém? Eles estão te tratando bem? Eu juro que se não estiverem, eu vou ate ai e te rapto. Seus pais que se acostumem com a idéia. 
Eu te adoro muito, sua maluca. E vê se me escreve, ouviu?

  Com Amor, 
  Nancy. 


Suspirei. Eu também sentia muita falta dela. Demais. Então, comecei a escrever sobre tudo que me aconteceu desde que eu cheguei aqui. Detalhando cada momento. De novo, eu só não consegui contar sobre uma coisa. Uma coisa que no momento, era a que eu mais queria poder contar a alguém.