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Capítulo 6 - Curiosidade - {3}


 -Então, vai me contar um pouco sobre a sua vida? – ele me olhou tenso por um instante – Quer dizer, ontem eu praticamente contei cada vírgula da minha. Ate agora, alem do fato que você veio da Califórnia eu não sei mais nada sobre você.
 -Minha vida não é assim tão fascinante. – ele respondeu fitando o sol.
 -Bom a minha também não é, mas eu te contei ontem à noite. E alem do mais, eu quero saber. – me perguntei se eu estava sendo birrenta.
 Ele se virou e derramou todo o seu olhar em cima de mim.
 -Por quê?
 -Sinceramente? Eu não sei.
 -Ok. – ele disse se rendendo - Eu nasci em Carmel, uma pequena cidade da Califórnia, que por sinal fica perto de São Francisco – ele sorriu -. Quando tinha quatro anos, meu pai foi transferido para Los Angeles. Mudamos-nos todos para lá, eu, meu pai, minha mãe e minha irmã, que na época tinha 2 anos. Quando eu tinha 16 anos, ou seja, ano passado, minha irmã e eu sofremos um acidente de carro, ela não sobreviveu. O trauma foi muito grande e eu não agüentei, - ele começou a falar mais pausadamente e então percebi que ele estava revivendo a cena -, meus pais falaram pra eu ficar, que eles já haviam perdido a minha irmã, não queriam me perder também, mas eu estava muito traumatizado. E então, me mudei para cá, tentando recomeçar a vida. – ele terminou num tom amargo, como se soubesse que ele nunca mais iria conseguir recomeçar de novo.
 Reprimi o impulso de abraçá-lo. Não sei por que, mas eu queria reconfortá-lo.
 -Me desculpe – minha voz não passava de um sussurro – eu não queria fazê-lo se sentir mal.
 Ele me ignorou: - Você acha que eu fui egoísta em fazer isso? Quer dizer, me mudar para o outro lado do país para tentar me esconder? – depois acrescentou com um ultimo pensamento - Da verdade, quero dizer?
 -Se os seus pais realmente te amam como eu acho que amam então eles te entendem. Quer dizer, se fossem os meus pais, eles nem notariam que eu tinha saído de casa. Mas de acordo com a sua descrição, os seus parecem realmente se importar com você. Então, não, você só precisava de um tempo pra você. Eu tenho certeza de que eles te entendem.
 Para minha surpresa, ele passou o braço ao redor dos meus ombros. 
 -Os seus pais podem se importar com você mais do que você pensa, sabia? – e falou isso praticamente no meu ouvido. Reprimi um arrepio. 
 Então agora ele estava me reconfortando? Isso não parecia justo.
 -Impossível.
 -Bom, se eles não se importam, pelo menos tem gente que se importa. – e me fitou. 
 E então, encostei a minha cabeça em seu ombro e sussurrei:
 -Obrigada. 
 -Pelo que? – ele parecia um pouco espantado.
 -Por salvar a minha vida. 
 -Não acho que ele iria te matar, mas não tem de quê.
 Podia ser impressão minha, mas naquele momento, eu senti algo a mais. Algo que eu nunca havia sentido antes. Um conforto no coração. Uma vontade imensa de nunca mais sair de lá. Que minha cabeça pudesse ficar para sempre encostada no seu ombro e seus braços, protegendo os meus.
Mas afinal, qual era o meu problema? Nós só nos havíamos conhecido a menos de dois dias!
 Mas pareciam que eram séculos. Como ele mesmo falou, parecia que eu o conhecia há mais tempo.
 -Então, você não ficou nem um pouco assustada lá na floresta? Não é possível que você não possa ter sentido nem um pouquinho de medo. – ele falou depois de alguns minutos com um sorrisinho lindo brincando em seu rosto.
 -Como eu falei, eu tenho uma perspectiva diferente de vida. – eu respondi - Qual seria a pior coisa que ele podia fazer? Matar-me? Isso certamente não é muito. Se você olhar por um ângulo diferente, você vai perceber que não existe a expressão: ruim o bastante.
 Ele me olhou por um momento, depois tirou seu braço de meus ombros e perguntou:
 -Qual foi a pior coisa que já te aconteceu? Em toda a sua vida?
 Parei pra pensar. Então percebi que existia sim o termo ruim o bastante.
 -Me separar da minha melhor amiga semana passada. – Respondi sussurrando repentinamente, fitando o chão - Ela era como uma irmã pra mim. Nós nunca... Nunca... Tínhamos nos separados antes. Ela sabia mais coisas sobre mim do que qualquer um. Eu acho que eu a considero mais da família pra mim do que ate os meus próprios pais. Se eu tivesse que escolher uma pessoa no mundo, qualquer uma, seria ela.
 Ele ouviu o meu pequeno discurso quieto e depois murmurou mais consigo mesmo: - Então você sabe como é perder uma irmã.
 -Sim, mas eu ainda quis dizer que uma coisa física não pode ser ruim o bastante. – eu disse retomando o assunto, antes que meus olhos que já estavam ardendo resolvessem explodir em lágrimas, eu já sentia minha garganta arder.
 -Será que não? Eu queria ter a coragem que você tem para poder enfrentar as coisas físicas.
 -Como assim? – perguntei confusa.
 -Nada, eu só estava pensando alto.
 -Você... Era muito próximo de sua irmã? – eu perguntei depois de algum tempo só para poder ouvir de novo a sua voz.
 -Sim. Eu era o mais velho, então eu sempre a protegia e esse tipo de coisa. Nós éramos muito ligados. – então mudou de assunto -, sabe, desde que eu cheguei aqui, não me abri com ninguém sobre isso, nem mesmo com David, não sei por que, mas eu tenho essa impressão... De que posso confiar em você. 
 -E você pode. – eu disse fitando seus olhos. Os meus surpreendentemente ternos.
 -Mas agora, chega de falar de mim. – ele disse se desviando do assunto - Me conte mais sobre você.
 -E eu já não contei tudo ontem à noite?
 -Sim, mas mesmo assim, eu quero saber.
 -Sobre o que especificamente?
 -Hmm... Comece com como você se sente sobre os seus pais. Você me contou como é a sua relação com eles, e não como você se sente.  
 -Eu pensei que você fosse bom em ler expressões. – eu disse com os olhos semicerrados.
 -E sou. Mas eu quero saber diretamente de você.
 -Eu não tenho exatamente o que falar. Meus pais sempre me ignoraram só que quando eles ficaram de saco cheio, me chutaram para o outro lado do país e aqui estou eu. 
 -Sabe o que eu acho? Você sofre mais do que demonstra. Você esconde seus sentimentos ate de você mesma. Você passou a vida inteira escondendo tudo o que sentia dos seus pais, se acostumou tanto a não demonstrar o que pensa, e agora esconde todos os seus sentimentos ate mesmo por reflexo. Se você se encarasse, talvez não precisasse de tanto auto-controle emocional.
 Senti-me irritada. Profundamente irritada. É claro que eu escondia os meus sentimentos dos outros, mas não de mim mesma. Eu sempre soube muito bem o que sentia, e em parte, era isso que me ajudava a me controlar. Tentei engolir a irritação goela a baixo.
 -Fique sabendo que toda a minha vida, eu cuidei de mim mesma. Eu nunca, repito, nunca, tive ajuda de ninguém, especialmente de meus pais. Eu cresci sozinha, amadureci sozinha e me orgulho disso. Agora só não diga que eu escondo os meus sentimentos de mim mesma, porque isso não é verdade. Mais do que ninguém, eu me conheço por inteira. Muitas vezes já me chamaram de fria, sem sentimentos, dura, mas por dentro eu sofria. Eu sinto cada emoção dentro de mim antes de escondê-la. Acho que por isso, eu sempre sofri duas vezes mais. Então não venha me dizer que eu me escondo de mim mesma. Ou até mesmo que eu não sofro. – eu disse quase enlouquecendo por dentro. Por fora eu devia aparentar como normalmente eu aparentava quando ficava com raiva. Fria e tranqüila. A voz que nem navalha. Essa sou eu.
 Ele me olhou por exatamente um minuto inteiro. Eu sei. Eu estava contando. No final desse um minuto ele conseguiu dizer:
 -Acho que você tem razão. – ele disse lentamente – Talvez eu tenha me enganado a seu respeito. Mas sabe, não é bom engolir tudo o que você sente. Muita coisa fica entalada no seu peito. 
 Eu não respondi. Só fiquei encarando o sol que agora se punha na nossa frente e lentamente desaparecia na linha do mar.