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Capítulo 3 – Até que aqui pode ser melhor do que eu pensei - {2}


 Depois de me mostrar cada canto da escola e de me apresentar a quase todas as pessoas possíveis, nós voltamos para o quarto. Sentia-me exausta – não era exatamente todos os dias que eu viajava para o outro lado do país para estudar numa costa totalmente diferente e morar com pessoas que eu nem conhecia. Isso era no mínimo, frustrante. Mas acabou que eu acabei gostando, a maioria das pessoas daqui eram bem simpáticas e o colégio era enorme. Só o jardim devia ter uns 4 quilômetros. Existiam três prédios - todos com uma construção meio que do século XI - o das meninas, o dos meninos, ambos com 3 andares – e sim, eles eram praticamente colados na parede um do outro em uma das laterais, e acabou que justo o meu quarto tinha uma vista direta para o outro quarto. E o prédio em que nós havíamos aulas, que era uma construção térrea, mas enorme.
 Mel me falou que durante a semana eles passavam quase o dia inteiro naquele prédio, só voltavam pra dormir. E não era porque as aulas acabavam tarde, não. É que a maioria dos estudantes ficava por lá mesmo, ou dava uma volta no jardim imenso com os amigos ou namorando. Nós tínhamos permissão para sair do prédio, é claro, mas a maioria dos alunos só saia à noite para as festas, ou nos finais de semana.
 Tomei um banho pra relaxar e a Mel foi conversar com alguém lá fora. Quando saí do chuveiro, coloquei uma calça jeans e uma blusa básica regata vermelha. Estava uma noite quente, deliciosa. Em São Francisco era assim. Só que de madrugada costumava esfriar consideravelmente. Sequei meu cabelo com secador. Um dos meus defeitos era esse. Era bem vaidosa. Eu ia pra padaria? Poderia ser só ate uma esquina, mas eu em arrumava toda, não suportava me olhar no espelho sem maquiagem.
(PS: fato terrivelmente inspirado na autora)
 Depois de secar meu cabelo e passar a quantidade certa de maquiagem para ficar no alojamento mesmo, resolvi encarar a minha mala. Não iria adiantar nada eu ficar adiando, quanto mais rápido eu resolvesse isso, mais rápido eu me livrava da dor de cabeça e da tontura. Sim, eu também ficava com vertigem de arrumar a minha mala. Era perfeito.
 Estava justamente colocando no cabide um dos meus vestidinhos de noite prediletos quando alguém chamar: - Hei.
 Virei-me na hora em direção a janela e me deparei com a janela vizinha que tinha ficado vazia o dia inteiro, Mel disse que David e Luke nossos ‘vizinhos’ tinham ido dar uma volta pela cidade. Mas agora, tinha um garoto da minha idade debruçado na janela, então não dava para ver a altura, mas com olhos azuis que pareciam o céu à noite. De um azul escuro lindo, eu nunca tinha visto olhos tão lindos quanto os dele. Os cabelos eram castanhos, nem escuros, nem claros. Eram avelãs um pouco enrolados nas pontas. Seu rosto continha algumas sardas, quase imperceptíveis, mas a luz da lâmpada que emanava de nossos quartos era daquelas bem fortes, então era fácil perceber que ele tinha um rosto maravilhoso. Ele podia ganhar milhões como modelo, fácil, fácil. Demorei um pouco pra voltar à realidade, estava deslumbrada demais. 
 -Oi, eu te assustei? É que eu voltei agora e eu olho pela janela e vi uma garota que não é a Mel mexendo num dos armários, eu levei o maior susto. Mas daí eu me lembrei que ela falou que você estava pra chegar. Eu estou aqui o maior tempo te olhando e você nem percebeu. – ele sorriu, os dentes perfeitos brilhando a luz da lua. Sua voz era a mais suave que eu podia imaginar. 
 -Hmm, sério? É que arrumar ou desarrumar malas geralmente me deixa um pouco com dor de cabeça e vertigem, então eu não percebo muitas coisas ao mesmo tempo. – Eu disse franzindo um pouco as sombracelhas, me aproximei da janela.
 -Eu pensei que fosse só comigo. Que estranho. – ele falou refletindo – Bom, a propósito, meu nome é Luke Adams - e me estendeu a mão atreves da janela e sorriu.
 Peguei a mão, a janela nos dava só um metro de distância. A mão era morna, suave. Senti uma coisa estranha passar por mim quando nossas mãos se apertaram. Perguntei-me se foi só comigo.
 - Kaylee Wilson
 -Nome legal esse, Kaylee, é diferente.
 Eu sorri.
 -Então, da onde você veio?
 -São Francisco, Califórnia. 
 -Verdade? Eu já fui lá uma vez quando era pequeno.
 -Onde você morava?
 Ele riu – Eu morava na Califórnia também, só que em Los Angeles, meus pais não queriam me mandar pra cá, mas não teve jeito. 
 Eu o fitei. Como será que devia ter pais que quisessem o filho por perto? Eu acho nunca ia saber essa resposta. Acabei ficando perdida nos meus pensamentos fitando seus olhos azuis.
 -O que? – ele perguntou, sua voz parecia uma melodia de ninar, era suave, provocava uma sensação estranha no meu coração.
 Debrucei-me na janela assim como ele também estava. 
 -Eu só queria saber como deve ser essa sensação. Ter pais que te querem por perto. – minha voz soou um pouco distante.
 -Por quê? O que aconteceu com você? – ele demonstrou verdadeiro interesse na minha tristeza.
 Eu não sei por que, tirando a Mel, eu não saia por ai contando a minha relação com os meus pais, mas era diferente, eu e a Mel íamos conviver juntas durante sabe se lá quanto tempo, um dia ela ia acabar descobrindo. Mas a historia saiu, do nada. E eu estava contando minha vida pra esse estranho que a cada vez que eu o olhava, meu coração disparava. 
 Ele ouviu toda a historia com interesse e eu pude ver em seus olhos quando ele se sentiu péssimo por mim. Eu não queria isso.
 -Mas afinal, eles me ignoram desde o dia do meu nascimento. Eu acabo ignorando eles também. Isso não me incomoda mais. Pelo menos não muito.  
 -Sabe, eu posso ver em seus olhos o quanto você sofre com isso e não deixa transparecer. É impressionante.
 Eu o fitei inocente.
 -É sério, você sabe realmente como poder esconder seus sentimentos. Eu tenho um pouco de experiência em ler o rosto das pessoas, é fácil sabre quando elas estão mentindo ou não. Mas você não mente, só esconde os sentimentos. É impressionante.
 Aquilo era verdade. A maior parte de toda a minha vida, eu tinha passado escondendo os meus sentimentos dos outros. Não de mim mesma, é claro. Eu sabia muito bem o que eu sentia. Eu só não deixava transparecer, pelo menos eu achava que não. Nem a minha melhor amiga, Nancy conseguia adivinhar o que eu estava sentindo. Lembro-me quando nós assistíamos a alguns filmes tristes e eu conseguia segurar o choro, e horas depois, quando estava sozinha, eu me trancava no quarto e chorava em reação ao filme (pode parecer ridículo, mas fato inspirado na autora também). Eram raras as vezes que eu não conseguia segurar o choro ou qualquer sentimento. Eles vinham mais tarde quando eu estava sozinha, mas na frente dos outros, nunca. Ou foi isso que eu pensei ate conhecer o Luke.
 -Como? Como você faz isso? – eu perguntei abobalhada.
 -Prática – e sorriu.
 Nesse momento a Mel entrou no quarto.
 -Ei, Kay, vejo que você já conheceu Luke, às vezes ele é meio estranho, não liga não.
 Me endireitei. 
 Ele sorriu com a acusação dela e disse:
 -Estranho o bastante pra conhecer você, Mel.
 -Muito engraçado, Luke.

 -Bom, David deve estar me esperando lá embaixo, então, eu acho que a gente se vê, Kaylee.