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Capítulo 1 - Pessimismo - {1}


Colégio interno. É esse o nome do lugar que os seus pais te mandam quando não estão nem ai pra você. Não estão nem aí pra que horas você chega em casa ou se você bebe ou toma drogas - não que eu fizesse isso de qualquer jeito.
Desde pequena, eu sempre fui um fardo que Ellen e Robert sempre carregaram. Ou eles nunca tinham tempo suficiente ou disposição suficiente. No começo, eu nunca entendi o porquê de meus pais nunca passarem mais de cinco minutos comigo, quando os pais de minha amigas, gastavam horas com elas. Mas depois, com o tempo, eu aprendi a lição mais importante sobre meus pais: Você pode morrer atropelada que eles provavelmente nem vão ligar.
Ellen nunca demonstrou nenhum amor maternal comigo - ela estava preocupada demais pra fazer compras ou encontrar as amigas no shopping pra isso. Nossa relação sempre foi fria, desconfortável. Ela só é assim comigo, com os outros - qualquer um - ela é extrovertida. Meu pai sempre chega em casa tarde, trabalha das 7 às 21:30 todos os dias como acionista de uma empresa. Nós mal nos vimos.
Eles nunca precisaram se importar de verdade comigo. Ótimas notas, boas amizades, excelentes recomendações de professores, nunca fumei. A vida inteira eles nunca tiveram sequer um problema comigo. Então eu pergunto: Será que é pedir demais querer cursar o segundo ano do segundo grau numa escola normal, com meus amigos, morando numa casa que, apesar de não ter ninguém com quem eu possa conversar, tem minhas coisas, é um lugar reconfortante? Eu sabia que eles sempre quiseram me ver longe, mas eles não podiam, por favor, esperar até a faculdade? Será que é mesmo pedir DEMAIS?
Eu me lembro de quando eles me contaram que eu ia pro outro lado do país cursar a Valley High School, em Wilmington, Carolina do Norte. Nós estávamos jantando, eu e minha mãe - meu pai estava trabalhando - num silencio absoluto quando ela falou:
-E a propósito, eu e o seu pai te matriculamos num colégio bem melhor do que aquele que você estudava, é super bem recomendado.
Fiquei totalmente embabasacada, desde quando que eles se importavam se eu estudava numa escola boa ou não?
Ela não esperou a minha resposta, só continuou:
-Fica em Wilminton, Carolina do Norte, a propósito, também é um colégio interno. Você se muda daqui a duas semanas.
Eu me lembro também de ter passado essas duas semanas inteiras trancada no meu quarto chorando. Chegou um ponto que eu quase preocupei os meus pais, mas quase. Foi no dia que eu comecei a implorar de joelhos soluçando pra eles me deixarem ficar em casa – meu pai estava em casa, era um sábado. E ele só disse:
-O colégio vai ser mais bem adaptado pra receber você, querida.
Ou seja: Nós não estamos mais agüentando seus chiliques, por isso vamos te mandar pra um colégio interno, onde eles possam cuidar de você, querida.
Quando falei pra minha melhor amiga, Nancy, que eu estava me mudando de São Francisco, Califórnia, pra ir para o outro lado do país, bem, ela quase teve um ataque. Nós éramos unha e carne desde a 1ª serie. Uma semana separadas e nós começávamos a sentir saudades. E em parte, era por isso que eu não queria ir embora. Não me importava com os meus pais – eles também não se importavam comigo -, não me importava com o resto da escola, eu não queria ficar longe da minha melhor amiga.
Na minha escola só tinha babacas, eu não estava exatamente namorando agora – então isso não era exatamente um problema.
Mas Nancy era um problema. É claro que nós duas tínhamos outros amigos, mas nada se comparava à nossa amizade. Era como se nós duas fossemos irmãs.
Eu prometi a ela que iria escrever toda a semana – ficava caro uma ligação interurbana, então recorremos aos meios antigos de comunicação, já que ela achava fascinante mandar cartas pelo correio ao invés de simplesmente digitar um simples e-mail – e que iria vim assim que pudesse – em algum feriado, ou nas férias -, e ela prometeu o mesmo.
Foi dolorosa a nossa separação, muito dolorosa. Com direito a lágrimas e tudo no aeroporto – ela fez questão de me acompanhar ate lá. Nós nunca tínhamos nos separado (só quando nós íamos viajar nas férias com a nossa família, mas isso era diferente.) e isso foi como se parte de meu coração tivesse ficado com minha irmã.
De meus pais eu me despedi normalmente. Um adeus e um abraço bastaram para os dois. Eles sempre acharam que se eu tivesse um cartão de credito nas mãos, bastava. Eu sempre tive as melhores roupas, os melhores brinquedos e melhores livros. Com 10 anos eu ganhei meu primeiro cartão, e não vou falar que eu não o usava, porque eu usava. Mas eles nunca se preocuparam em me dar um abraço ou coisa do tipo. Só roupas, viagens e só. Às vezes eu me pergunto se eles se arrependem de eu ter nascido.
E agora, eu estou aqui, seguindo essa inspetora nesse corredor cheio de quartos de alunos, indo ate o meu próprio quarto.
A Valley High School, se orgulha por sua educação e disciplina de primeira, os quartos são planejados para dois alunos, e o prédio dos meninos fica ao lado do das meninas. Ouvi falar que muitos desses alunos pulavam as janelas, e havia certas trocas de quartos, já que esses prédios eram próximos demais.
O corredor é cheio de portas – algumas abertas demonstrando alguns alunos vendo TV ouvindo musica ou coisas do tipo – algumas fechadas e alguns alunos passeando livremente pelo corredor. O corredor deve ser extremamente silencioso, por isso a música e a TV estavam baixinhas. Cada quarto continha um próprio banheiro para ser dividida com seu colega de quarto.
Paramos ao n° 203 A, e a inspetora que tinha uma cara de que realmente não tinha dormido naquela noite se virou e falou:
-Pronto srta. Wilson, esse é o seu quarto, n° 203 A. Sua colega de quarto é... – ela olhou uma lista de nomes que tinha em mãos e disse - sua colega de quarto é a Srta. Melanie Philler. Qualquer coisa, eu vou estar na recepção lá em baixo. Espero que goste de seu quarto. – sua voz era robótica como se já tivesse dito esse discurso milhares de vezes.
Virou-se, e foi embora.
Bem, quem sabe, eu posso até gostar daqui – pensei com a mão na maçaneta, então eu pensei melhor e vi que as possibilidades eram de 100 contra 1, ou seja, praticamente impossíveis.